• Célio Costa Jr.

Será que a China vai comprar todo o Brasil?



Analisando a matéria escrita na InfoMoney por Felippe Hermes, as estatais chinesas já compraram no Brasil os maiores produtores de energia, avançam no campo do pré sal, e controlam portos, como o de Paranaguá.


Em 2014 a seguradora chinesa Anbang assumiu o Hotel Waldorf Astoria em NY (EUA) por U$ 2 bilhões, iniciando a expansão no ocidente.

Ícone por receber chefes de estados do mundo todo, em uma ocasião, o até então presidente à época, Obama, declarou que não se hospedaria mais no hotel por preocupação e segurança.


Após quatro anos, o governo chinês alegou que a Anbang havia cometido crimes financeiros, tendo por consequência de costume, tomaram para o seu estado o grupo e consequentemente o hotel.


Essa prática do governo chinês é comum, pois dessa forma conseguem tomar pelas suas estatais setores privados de vários países passando a fazer parte da economia dos mesmos.

Entre 2003 e 2019, a China investiu no Brasil cerca de U$ 72 bilhões, quase 40% investido por vários outros países (dados de 2019 do Ministério das Relações Exteriores).


A visão dos chineses no mercado brasileiro é de investirem em setores onde outros países que deixaram de considerar como interessante, aproveitando as ofertas. Um dos principais motivos disso é que os outros países não veem o Brasil como um investimento seguro.

Em 2004 (governo Lula), o Brasil passou a considerar os preços praticados pela China como “normais de mercado”, adquirindo fatias de setores privados na área da aviação, infraestrutura e finanças. E com os mesmos moldes como o caso da Anbang, de tomadas de


poderes administrativos dessas empresas privadas, o estado chinês cresce com suas estatais pelo mundo todo.


Exemplo por aqui esse é um dos casos, a HNA (chinesa) comprou 23,7% da Azul - Linhas Aéreas e uma pequena participação minoritária do aeroporto do Galeão.


Também em 2017 a China Merchants Group (controlada pelo estado chinês) comprou o Terminal de Contêineres do Porto de Paranaguá, o segundo maior do Brasil, por R$ 2.8 bilhões, assumindo em 2020, parte da administração (negócio).


Para não deixar grãos para trás, outra estatal chinesa, a CCCC (China Communications Construction Company), está investindo R$ 2 bilhões na construção de um porto no estado do Maranhão (“Salve Sarney”), formando duas rotas de saídas de produtos agrícolas para o seu país. E há também a probabilidade de mais uma rota pelo estado do Espírito Santo, sendo negociado o investimento na ordem de R$ 1 bilhão.


Outro foco de investimento da CCCC são as concessões das rodovias paulistas, já que a mesma comprou também a Concremat (engenharia de energia eólica), além da State Grid (estatal transmissora de energia chinesa) que assumiu o controle da CPFL por U$ 4,5 bilhões (54% das ações), tentando logo após o controle total, mas sem sucesso.


Outra gigante de energia, a CTG, China Three Gorges – dona usina de 3 gargantas, a maior do planeta – adquiriu o controle de 14 hidrelétricas, além de participação de outras 3. A empresa, que venceu o leilão de privatização da CESP, é hoje a segunda maior geradora de energia com capital privado do país. Por meio da EDP, a CTG também possui 11 parques eólicos no país. A State Grid, CTG e outra SPIC (State Power Investiment Corporation), controlam 15,6 mil MW (10% de toda produção brasileira), tornando-se forte concorrente da Eletrobrás e Cemig.


Na área do petróleo, a CNPC (Corporação Nacional Chinesa de Petróleo) controladora da PetroChina é sócia da Petrobrás no pré sal devido a compra conjunta no leilão do Campo de Libra. E também mais uma estatal chinesa é sócia no Campo, a CNOOC, ambas com 10% cada. Ainda buscam retomar a construção do Comperj (polo petroquímico da Petrobrás). Há também nessa toada a RepsolSinopec, também estatal chinesa, totalizando a participação chinesa em 12 campos do pré sal.

No setor agrícola, os chineses são donos majoritários da Belagrícola (53,4% das ações), produtora de máquinas e equipamentos no estado do Paraná. E tendo investido também em 2016 na compra da Fiagril (DKBA-Chinesa).


Nas redes de telecomunicações, a china Media Group firmou parceria a com o Grupo Bandeirantes (Rádio e TV no Brasil). Fora o investimento dessa mesma estatal em um acordo de coprodução da tecnologia 5G com a Rede Globo.


O governo chinês se esforça para demonstrar preocupação por investimentos de tais proporções, alegando abrir vulnerabilidade ao seu país, mas que não parece já que o processo é antagônico.


É importante nos atentarmos para tal crescimento dos chineses em nosso país, pois em contexto como esse, o vulnerável da questão pode sim ser o Brasil. Pois até onde é interessante, e para quem, essa ação de desbravamento econômico?


Célio Costa Jr.


Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são de responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do Jornal O Grito Barueri ou de seus controladores.


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