• Wilson Nomura

Passa-se o natal todos os anos, e você sabe o verdadeiro significado dele?


Imagem: Igreja Católica


“Existem alguns historiadores que afirmam que a oficialização do dia 25 de dezembro como Natal foi realizada pelo papa Júlio I, em 350. Inclusive, a primeira menção ao dia 25 de dezembro como o dia do nascimento de Jesus que conhecemos é o Cronógrafo de 354, um calendário produzido por um calígrafo romano chamado Fúrio Dionísio Filócalo.”

O Natal e do Ano Novo são as datas mais existenciais da humanidade ocidental, comemoradas pelo seu conteúdo espiritual e temporal, provocando profunda reflexão sobre os acertos e desacertos, sobre a felicidade e o infortúnio, sobre o amor e o egoísmo.

Da primeira, infere-se a necessidade premente, do sacrifício mortal dos pais, pela proteção da família, cuja salvação provoca o resgate dos valores morais da sociedade, oriundas de sua célula social primária.

Da segunda, conclui-se a inevitabilidade da pausa meditativa e consciente, entre a passagem didática dos anos, delineando o passado e o futuro, pela marca concreta e palpável, do calendário etéreo e infinito.




A data natalina, embora falsa e artificialmente estipulada pelo Papa, serve de preparação mental, espiritual e moral para o mundo, uma semana antes do virar do calendário anual, para fazer um balanço existencial, a fim de se valorizar os créditos e prevenir os débitos das ações pregressas, na contabilidade humana, sob o jugo da auditoria divina.

A família, primeira entidade social, à qual a alma precisar prestar contas, mini laboratório das experiências, dos sucessos e fracassos, dos enganos e desenganos, das paixões e ódios, e toda a faixa de sentimentos e pensamentos conciliatórios e divisórios, em busca da harmonia consensual, deve sempre cumprir seu papel de estrela guia, durante o restante dos dias não natalinos, em que o brilho norteador esmaece, através da escuridão maligna.

A virada do ano, como se automatizasse a esperança, a fraternidade, a lealdade, o amor e a fé, é comemorada alegremente, mas vivida ao longo dos dias, cada vez mais com coração vazio, melancólico e sem muita esperança, pela mesmice atitude rotineira e mecânica.

Enquanto isso, o progresso material, de recursos energéticos, de comunicação, de locomoção, de conforto, de produção, de alimentação, de vestimentas e adereços mil, excita a cada segundo o corpo e a alma vivente, sem tréguas para um minuto sequer de calmaria auto contemplativa, silenciosa, escura e pacificadora do coração e da mente, como se tentasse atingir a velocidade da luz, para atingir o infinito do cosmos da percepção da realidade, contentando-se com a quantidade de informações absorvidas, em detrimento da qualidade artificial, supérflua e efêmera.

A realidade artificial, construída por peças da realidade real, ilude até o mais erudito, esperto, corajoso e realista que possa existir, pois a fuga é uma tentação por demais irresistível e verdadeira.

A força e a resiliência só é possível com o otimismo do alpinista, perfeccionista até o ultimo detalhe de um único passo milimétrico, pois disso depende sua vida e sobrevivência.

Assim deve agir o atleta moral profissional, a guiar-se pela bússola orientadora dos seus mandamentos espirituais, atentos ao regime oposto à gula dos vícios de pensamentos negativos e sentimentos destrutivos, dos desejos pecaminosos e indecentes, das necessidades enganosamente essenciais à felicidade, dos conceitos distorcidos e fraudulentos, das morais falsas e perniciosas.

Um Natal de fato mágico seria comemorado pela troca de presentes espirituais, dando-se paciência, persistência, foco, amor, compreensão, fraternidade, fé e toda sorte de qualidades positivas às pessoas que amamos e que queremos nos relacionar melhor, numa reciprocidade de bênçãos trocadas. Os efeitos seriam muito mais duradouros, valiosos e inesquecíveis a todos os presenteados, pelo carinho, consideração e conhecimento pessoal e íntimo entre os festejadores, apertando-se os laços emocionais.

Enquanto isso é impossível, parte da mágica pode ser feita por nós mesmos a nós mesmos, num ato de auto premiação voluntária, consciente e humilde.


Um Natal e um Ano Novo melhor só é possível com a mudança de comportamento, de sentimento e de pensamento propícios e positivos, após a confraternização e a passagem de ano, pois apenas a decadência moral é automática, ano após ano.



Wilson Nomura

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