• Wilson Nomura

“Não Olhe Para Cima!”: filme da Netflix. ATENÇÃO, CONTÉM SPOILERS!


Imagem: Netflix


Embora fictício, mas calcado em situação hipotética perfeitamente científica e possível, o filme estadunidense narra circunstâncias comparadas ao negacionismo de alguns governos durante a pandemia atual.

A catástrofe anunciada pelos astrônomos Dr. Randall e Dra. Kate, do cometa que se chocará fatalmente contra a Terra em uns seis meses, é inicialmente menosprezada pela presidente americana Janie Orlean, ridicularizada pela mídia televisiva, representada pela âncora Brie Evantee e aproveitada comercialmente pelo megaempresário Peter Bash, tipo Elon Musk .


Acreditem ou não, a maior catástrofe é a reação criminosa e eleitoreira do governo, a reação fantasiosa em busca de picos de audiência televisiva e digital e o oportunismo ganancioso, inescrupuloso, elitista e setorial do empresário espacial, em conluio com a presidente, comitiva, parentes e amigos.

A conclusão óbvia mostra até que ponto o egoísmo de categorias da sociedade, com poder político, econômico e de opinião pública podem salvar ou destruir a humanidade, com uma simples assinatura, um simples apertar de botão ou um simples arrastar da digital na tela do celular.


Tanto poder concentrado em tão pouca quantidade de cidadãos, poucos ou em nada qualificados, como o filho da presidente, deveria aterrorizar mais os espectadores desse filme, pois é a realidade atual, ficcionalmente mostrada.

O dilema mostrado em que deve se decidir, entre simplesmente salvar o mundo, ou arriscar-se, antes disso, em extrair os minérios super valiosos, que, poderiam, a princípio, acabar com a miséria material e alimentar da população pobre mundial, é perfeitamente plausível, em sua loucura e em seu absurdo do status do cenário atual.

Logicamente, trata-se de uma desculpa totalmente sem fundamentos para a cobiça gigantesca do tamanho do meteoro, pois o planeta já possui recursos e riqueza suficiente para sanar todas as necessidades primárias para toda a humanidade, se houvesse doação dos mais ricos e poderosos.

Infelizmente, esta é a revelação sabida de todos, inédita talvez, pela forma, contundência, clareza, coragem, coerência e sinceridade que foi interpretada, dirigida, montada e exibida, por atores, diretores e técnicos de primeira qualidade, além de um roteiro soberbo.

Alguns filmes americanos foram predecessores em denúncias deste tipo, como “Todos os homens do presidente”, por exemplo.

O destino final e moral consola o espectador para que também não negue as evidências na comparação com a realidade negada da pandemia, que também poderia ou pode ainda dizimar a raça humana, caso seja negligenciada consideravelmente.



Wilson Nomura

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