• Wilson Nomura

Matheus ou Pedro? “Na narrativa sobre um dilúvio, encontrada no Gênesis da Bíblia Hebraica...


Pedro Mateus




“Na narrativa sobre um dilúvio, encontrada no Gênesis da Bíblia Hebraica, Deus decide inundar a terra por causa da profundidade do estado pecaminoso da humanidade. O justo (aquele que segue as diretrizes divinas) Noé recebe instruções para construir uma arca.”

“Segundo o relato bíblico (Genesis 18: e Genesis 19:), as cidades e seus habitantes foram destruídos por Deus devido a seus pecados e à prática de atos contrários à moral dos antigos israelitas, dentre os quais a tentativa de estupro a dois anjos do Senhor.”

“‘E se houver cinquenta justos na cidade? Ainda a destruirás e não pouparás o lugar por amor aos cinquenta justos que nele estão? Longe de ti fazer tal coisa: matar o justo com o ímpio, tratando o justo e o ímpio da mesma maneira. Longe de ti! Não agirá com justiça o Juiz de toda a terra?” Respondeu o Senhor: ‘Se eu encontrar cinquenta justos em Sodoma, pouparei a cidade toda por amor a eles’. Ainda assim pergunto: ‘E se faltarem cinco para completar os cinquenta justos? Destruirás a cidade por causa dos cinco?’ Disse ele: ‘Se encontrar ali quarenta e cinco, não a destruirei’. ‘E se encontrares apenas quarenta?’, insistiu Abraão. Ele respondeu: ‘Por amor aos quarenta não a destruirei’. Então continuou ele: ‘Não te ires, Senhor, mas permite-me falar. E se apenas trinta forem encontrados ali?’ Ele respondeu: ‘Se encontrar trinta, não a destruirei’. Prosseguiu Abraão: ‘Agora que já fui tão ousado falando ao Senhor, pergunto: ‘E se apenas vinte forem encontrados ali?’ Ele respondeu: ‘Por amor aos vinte não a destruirei’. Então Abraão disse ainda: ‘Não te ires, Senhor, mas permite-me falar só



mais uma vez. E se apenas dez forem encontrados?’ Ele respondeu: ‘Por amor aos dez não a destruirei’. (Gênesis 18:24-32)”

“Mas infelizmente o número de justos era menor que dez! Então Deus teve que destruir aquelas cidades (Gênesis 19:24), pois as acusações contra elas eram muitas (Gênesis 19:13). Somente se salvaram Ló e suas duas filhas (Gênesis 19:15). O que muitos não percebem é que isso foi, na verdade, um ato de misericórdia divina, pois numerosos viajantes incautos passavam por essas cidades e eram simplesmente estuprados pelos homossexuais daquelas cidades (Gênesis 19:4-5). Destruindo Sodoma e Gomorra, Deus impediu que mais crianças crescessem naquele meio abominável, aprendendo a repetir os mesmos erros; assim, Ele também impediu que outros estrangeiros fossem violentados.”

A condenação de quase toda humanidade e de toda as cidades de Sodoma e Gomorra parece anacrônica pela quantidade e grau dos pecados atuais, sujeitos ao idêntico veredicto divino impiedoso, provavelmente, desde décadas ou séculos antes, se fosse mantido o rigoroso cumprimento dos mandamentos de Moisés, aparentemente, abrandados com o tempo.

Afinal, da destruição das cidades gêmeas moralmente, parece ter surgido das cinzas a ave Fênix do pecado, a se espalhar em incontáveis urbes em todos os tempos e lugares, invocando a necessidade de um novo apocalipse, todavia, sujeito a nova avaliação celestial, visto o extraordinário crescimento de almas terrestres, na casa dos bilhões, superando-se a dezena dos justos e ímpios.

Qual seria o mínimo de reféns íntegros necessários a serem salvos, juntamente com os desumanos, hoje, talvez, em número muito maior, para o resgate geral?

Por que inocentes devem pagar pelos pecados dos culpados, apesar de todos os esforços para se tentar diferenciar destes, numa resolução, à primeira vista, injusta?

Para se entender o funcionamento do tribunal etéreo, é essencial lembrar que não faltam avisos, testemunhos, exemplos, documentos históricos, religiosos, filosóficos, espirituais, sociológicos, políticos e afins, reguladores da ordem moral, ética e social, a prevenirem e orientarem a erudição, inteligência e a consciência humana, desde os primórdios de sua existência até os dias atuais, eliminando-se a desculpa de ignorância conceitual do bem e do mal, impossibilitando lhes a livre escolha.

Talvez isto explique o rigor das condenações, mesmo sobre as mais almas mais nobres, que provavelmente também poderiam ter se elevado mais ainda, o que caracterizaria, por outro lado, uma interpretação inversa da morte, como uma salvação premiada, por meio de uma reencarnação em outras esferas existenciais, mais de acordo com o grau evolutivo das minorias, em ambiente mais progressista.

A questão está no mundo pós apocalipse, prêmio ou castigo a ser decidido, segundo a complexidade, a perfeição e a beleza do coração e juízo divinos, que exigem humildemente, uma quantidade mínima de salvados, proporcional ao total de almas viventes, para perdoar


todo o restante dos pecadores, igualmente objetos da paciência, da tolerância, do perdão e da piedade aprendiz finita dos justos.

A Terra, palco do protagonismo adversário do bem e do mal, serve de escola instrutora dos piores e dos melhores alunos, cada um ensinando o outro, reciprocamente, tanto pelas qualidades a seguir, quanto aos defeitos a evitar, cada um se espelhando na imagem do outro, com admiração ou com compaixão, nunca com inveja ou vaidade, validando o provérbio “Desta água nunca beberei”.

Vide Matheus, antigo cobrador de impostos romanos, antes de seguir Jesus.

Vide Pedro negando Jesus, antes que o galo cantasse três vezes, para se salvar fisicamente e se condenar espiritualmente.

Enquanto vivo no papel nascido nos palcos terrestres, cada alma aprisionada em seu personagem, carnal e intelectual, desempenha o caráter personificado de suas qualidades e defeitos, melhorados ou piorados, temporariamente, nivelados definitivamente, somente após a morte física, desnudado das vestes existenciais, deixando ou não de ser Matheus ou passando a ser ou não Pedro.


Wilson Nomura

9 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo