• Wilson Nomura

Liberdade Excelsa


Paradoxo dos paradoxos, em pleno século XXI, todos os cidadãos do mundo são prisioneiros de

seus próprios lares, cidades, estados e países, vitimas da pandemia geral, carrasco da

mobilidade, da saúde e da vida, segmentando a globalização da comunicação e dos

transportes, dispersora igualmente de seus efeitos colaterais, como a radicalização religiosa,

política e econômica.

Ainda sob a batuta ditatorial financeira, a imunização sanitária ainda é cobrada, dificultando o

acesso aos países mais pobres, órfãos da multinacionalização inexistente do sentimento de

fraternidade piedosa, orquestrada por acordes políticos , desafinados por tons pouco

humanitários.

Somos reféns dos governantes, coniventes com os agentes patogênicos em seu negacionismo

genocida, ou em seu uso como cabos eleitorais, no oportunismo abjeto.

Algozes extremistas de bandeiras opostas usam o mesmo chicote para tentar pegar a carona

da velocidade, eficiência e rapidez da integração global, na audição obrigatória de respectivos

hinos ideológicos, candidatos a se tornarem oficiais e internacionais.

Concorrentes ou auxiliares às classes dominantes, demográficas em apenas cinco por cento, e

ricas em quase cinquenta por cento, com relação ao restante mundial, a vitória indiferente de

um lado ou de outro, apenas aumentará a quantidade de surdos aos choros, gritos e gemidos

de/aos doentes e finados, expatriados do concerto seleto e privilegiado.


O aumento da discrepância econômica e social entre as classes é reflexo do distanciamento

social obrigatório e da dispersão moral e espiritual opcional, tanto do escravizador tanto do

escravizado.

A imunização colateral e involuntária de sentimentos e pensamentos menos nobres, dignos e

altruístas ainda permanecem lenta; fragmentária e comuns à todas as faixas etárias; doentes

das comorbidades obesas da soberba; da diabetes descontrolada da ganância; da insuficiência

cardíaca do amor e das doenças crônicas dos rins filtradores de ódio excessivo.

O atraso de cirurgias eletivas da extração de invejas, transplantes de sofrimentos alheios, de

implante de próteses de caráter, eliminação dos órgãos cancerígenos da intolerância, dentre

tantos outros, praticados nos lares ou centros espirituais, aumenta o morticínio do índice de

humanidade em geral; comuns aos saudáveis ou não, superando de longe o parâmetro da

mortalidade sanitária.

A pandemia possui uma cura controversa e contraditória pela imunidade de rebanho,

provocada por certo número de infectados em conjunto, que originam o anticorpo,

protegendo o resto da população, ainda não imune.

Entretanto, a quantidade de mortes necessária seria assustadora, até que, setenta por cento

estivesse imunizado.

Aparentemente, os sobreviventes morais, humanitários e espirituais e serão os derradeiros,

libertadores de suas tornozeleiras da prisão domiciliar global.

Provarão o gosto incomparável, justo e premiado da emancipação salubre a que fizeram jus,

podendo caminhar livremente entre os mendigos de orgulho, abastados de materialismo,

sequestradores de auto piedade, surrupiadores de consideração, charlatões de honradez,

eruditos de sabedoria vazia, devastadores do meio ambiente social, assassinos em série do

amor familiar, milionários em riquezas sanguinolentas e toda a miríade de perfis doentios,

dignos de pena e não de alvo de soberba humilhante, o que os colocaria na mesma categoria

pandêmica.

Incólumes às enfermidades espirituais mais vulgares e resistentes aos flagelos globais, os

vacinados pela fé divina experimentam a experiência da existência excelsa, tanto quanto

possível, aqui no cenário terrestre maligno.


Wilson Nomura

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