• O Editor

Lia Thomas, a primeira campeã trans da história do NCAA

Veja como foi toda a controvérsia durante o dia em Atlanta

17 de março de 2022 vai entrar para a história do esporte universitário americano. Foi o dia que uma atleta trans se tornou campeã nacional do NCAA. A história de Lia Thomas é das mais controversas e polarizadas de todos os tempos em nosso esporte. Aqui, a SWIM CHANNEL traz em detalhes como foi o dia de ontem em Atlanta para você compreender toda esta celeuma.


(Horários locais)


* 8:30 Começa o aquecimento no McAuley Aquatic Center, piscina da Georgia Tech University. É o segundo dia de competição do NCAA Divisão I Feminino sendo que Lia Thomas não nadou na primeira etapa. Eram apenas duas provas de revezamento e a sua equipe, a Universidade da Pennsylvania tem apenas três atletas na competição.


* 10:00 Começam as eliminatórias e as 500 jardas livre é a primeira prova. Lia Thomas está na última das nove séries da competição com o melhor tempo de inscrição, os 4:34.06 feitos num Invitational em novembro do ano passado.



* 10:30 Arquibancadas cheias, grande maioria de parentes das nadadoras da competição, mas existem manifestantes do lado de fora da piscina. Um grupo maior do “Save Womens Sport” protesta contra a participação de Lia Thomas. Organizados com cartazes produzidos, camisas e bottoms com as frases em defesa das mulheres.


Outro grupo, bem menor, reúne manifestantes locais, alguns estudantes da Georgia Tech, quase todos identificados com as causas LGBTQ+. Os gritos e protestos são mais intensos do grupo maior, embora com algumas discussões isoladas, nenhum conflito mais sério.


O site da SwimSwam fez uma reportagem do que estava acontecendo no momento:





* 10:45 Lia Thomas nada sua série e vence com facilidade. Marca 4:33.82, sua melhor marca pessoal baixando 24 centésimos e se classifica para a final com o melhor tempo. Erika Sullivan do Texas, medalhista de prata olímpica dos 1500 livre, em duas séries anteriores, faz o segundo tempo quase três segundos atrás de Thomas.

Na hora que Lia Thomas subiu ao bloco de partida uma pessoa não identificada grita da arquibancada: “Cheater”. Não houve reações ao final da sua prova.






* 18:00 Começam as finais do dia 2 do NCAA. A primeira prova é as 500 jardas livre, primeiro a final B, na sequência a final A. Atletas entram perfilados, uma tradição e um protocolo seguido há anos.

Desta vez, sem gritos ou ofensas diretas para Thomas na saída. Durante a prova, o grupo “Save Womens Sports” tenta colocar uma bandeira preta na arquibancada. A segurança do complexo rejeita indicando que estaria atrapalhando a circulação no local.

Erica Sullivan na raia 5 toma a frente, passa 18 centésimos de liderança sobre Thomas nas primeiras 100 jardas. Na altura das 200 jardas, eram três nadadoras (Sullivan, Tomas e Emma Weyant) na casa do 1:48, Thomas em segundo. Metade da prova, liderança de Sullivan mas apenas dois centésimos sobre Thomas.

É na virada das 300 jardas que Thomas pega a liderança para não perder mais. Vence a prova com 4:33.24, Emma Weyant em segundo 4:34.99 e Erica Sullivan em terceiro 4:35.92.

O tempo de Thomas foi a única prova individual do dia que não foi recorde do NCAA. Seu tempo ficou nove segundos distante do recorde de Katie Ledecky, mas com o resultado ela se tornou na 11a melhor nadadora da prova e 16a melhor da história.

Ao tocar a parede, alguns gritos de “he is a man”, além de um grupo que entoou um pequeno canto “protect girls sports”, foram poucas, mas tivemos vaias.

Thomas sai da piscina e dá uma rápida entrevista para a medalhista olímpica Elizabeth Beisel. Entre algumas de suas declarações: “Eu tinha muitas expectativas para esta competição e queria vir aqui e fazer o melhor que eu podia. Tentei deixar de lado todas as distrações, bloquear as coisas negativas. Esta performance para mim representa o mundo”.




* 18:25 Cerimônia de premiação da natação do NCAA leva todas as oito finalistas para o pódio. Todos recebem o mesmo troféu, diferente apenas no tamanho e plaquinhas. É sempre o treinador da vencedora que faz a premiação. Mike Schnur da Universidade da Pennsylvania faz a entrega um a um dos troféus para as oito nadadoras. Uma enorme comemoração na piscina com a premiação da vice campeã da prova, Emma Weyant da Universidade da Virginia. Na entrega do troféu para Thomas tivemos aplausos e em especial da arquibancada onde estavam os pais de atletas da Virginia.


*19:00

Final B das 50 jardas livre é vencida por Gabi Albiero, nadadora da Universidade de Louisville, filha do técnico brasileiro Arthur Albiero. Na raia 8, Iszac Henig, nadadora da Yale University, atleta trans que está fazendo a transição para o masculino, e inclusive já fez a remoção de seus seios. No seu braço uma inscrição: “Lets trans kids play”.

A frase fez parte de uma das primeiras decisões do Governo do Presidente Joe Biden permitindo a participação de crianças trans em práticas e competições esportivas.



Iszac Henig – Foto: Reprodução

19:45 Lia Thomas não apareceu para a coletiva da atleta campeã. A coletiva dos campeões é uma determinação do NCAA e Thomas mandou apenas um comunicado de que não iria comparecer.


A história segue…

Nesta sexta-feira, terceiro dia de competição, Lia Thomas nada os 200 livre, e amanhã, os 100 livre. Os 200 livre é a sua principal prova e expectativa de melhor resultado.


Fonte: Swim Channel

Indicação da Matéria: O Editor

6 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo