• Wilson Nomura

Imperdoável. É o roteiro feito nas coxas, sem pesquisa, sem conflitos verdadeiros e profundos...


Imagem: Netflix


É o roteiro feito nas coxas, sem pesquisa, sem conflitos verdadeiros e profundos, com viradas forçadas do comportamento dos personagens, de final previsível de adivinhar no meio do filme, com clima falso e forçado.


A atriz, encarnando a presidiária pelo assassinato de um policial, condenada à vinte anos, mantém durante toda a estória, um semblante sério, melancólico e quase depressivo, achatando a profundidade do personagem, que deveria estar contente, pelo fato de cumprido a pena e ter chance de ver sua filha, mesmo com o impedimento da lei.

Um dos filhos do policial morto desiste da ideia de vingança, sem motivo aparente. O irmão, a principio relutante, muda de ideia, após a traição da esposa com um amigo bem mais velho, sem explicar o contexto da situação, plantada gratuitamente, para justificar levianamente a mudança da decisão, já que agora, não tem mais família para ser responsável e proteger, o motivo básico de não seguir o irmão, ignorando a presença do filho recém nascido.

O fato de o oficial chamar a sua futura assassina pelo seu nome, certamente, conhecidos na cidade pequena, denuncia que ele vai ser a vítima fatal, criando uma conexão entre ambos, fraca e inútil, pois somente isto é mostrado.

A ameaça de que ela vai matar qualquer um que invadir sua casa e seu terreno, para evitar a ação de despejo, ouvido pela filha de cinco anos, não é motivo psicológico possível, concreto e suficiente para que a criança resolva pegar o rifle e tentar ajudar a mãe, atirando no oficial, que entrou sem a arma em punho, não constituindo, portanto, ameaça imediata, que talvez, fosse assim interpretada pela personagem infantil, demonstrando a fragilidade e a dubiedade da constituição da personagem, sem uma reação certa e garantida, como foi.




Os leves efeitos colaterais psicológicos da criança, que logo esquece totalmente da tragédia, com apenas dores de cabeça e insegurança no desempenho das performances no piano, não tem fundamento médico, pela fácil e rápida resolução, no clímax artificial e falso, quando consegue executar a peça no teatro perfeitamente.

O colega da profissão, que se afeiçoa a ela e iniciam um leve namoro, comporta-se contraditoriamente, no momento em que conta o segredo da presidiária, para outra colega, que, sendo filha de policial, não se conforma e a agride verbal e fisicamente, em pleno turno de trabalho, sendo que ele próprio é um ex-presidiário, o que naturalmente, causaria uma empatia pela namorada. Absurdamente, de tão chocado pela revelação da condição dela, idêntica à dele, não suporta guardar o segredo e fofoca de imediato, causando a demissão da namorada.

O roteiro parece ter sido escrito por um principiante, contratado por indicação de um amigo, parente ou amante, longe de um profissional de quilate à altura da atriz e produtora, de mais de vinte anos de atuação.

Um filme mais antigo da Sandra: “Premonição”, também peca pelo final anti clímax, em que evita o final trágico.

Mais imperdoável, todavia, é este filme recente da atriz, que não ganhará o Oscar, pela fragilidade completa do roteiro e da direção, e pela sua atuação plana e sem graça.



Wilson Nomura

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