• Wilson Nomura

Buraco Sobrenatural. A gravidade do mal e os degraus do bem.


Foto: BBC


É mais fácil deixar a gravidade do mal nos derrubar, do que nos esforçar para subir os degraus do bem.

Pois a lei do mínimo esforço moral é a única preponderante a ser obedecida, pelas almas decaídas, livres de cumprirem as regras estruturantes das entidades benéficas sociais, alvos de metas puramente corruptivas narcisistas, às quais se concentram exclusivamente, pela administração do poder puro, desconectado de qualquer causa mais nobre.

Sobretudo no ambiente político, os três poderes democráticos são dilapidados, à cada nova eleição, diminuindo ou retirando-se os seus pesos reguladores; anulando-se a fidelidade partidária, em troca de acordos e favores eleitorais; pactuando as ideologias contrárias, pelo interesse comum da corrupção deslavada; alternando-se o poder com o radicalismos de esquerda e direita; institucionalizando toda prática de favoritismo, nepotismo e corporativismo; criando os atalhos entre as entidades governamentais, derrubando-se as hierarquias mandatórias e elegendo bodes expiatórios, pela divulgação de fake-news, e afins.

É necessário muito esforço político, para se desmontar toda a estrutura democrática, montada por décadas ou séculos, através de cidadãos, governantes e governados, primando a honestidade, a idoneidade, a justiça, a verdade e a felicidade da sociedade em geral, mesmo que imperfeitas, incompletas e insatisfatórias.

É preciso pouca perseverança maligna, para se desmantelar todos os pilares levantados por alguns anos, pelas almas, mandantes ou mandadas, privilegiando a desonradez, a inaptidão, a tristeza, a trapaça, a farsa e o descontentamento da entidade em geral, para serem perfeitas,completas e satisfatórias.

Acima de tudo, no meio espiritual, os três domínios sobrenaturais: a sapiência, as sensações e a consciência, são desconstruídos, à cada crise, mitigando ou extraindo-se seus pesos controladores, através da alternância despótica respectiva, derrubando-se o consenso democrático e tolerante, base para um comportamento comedido racional e emocional, sob a presidência da cognição responsável.

Nos tribunais psicológicos e íntimos, o juízo de valores é escravo da arritmia e do compasso passional, a interpretação da verdade é processada por regras preconceituosas, a aprovação dos regulamentos morais é feito por PECs tendenciosamente maléficas, a execução das medidas acontece sem a devida avaliação jurídica da realidade, configurando-se o estado mental, intelectual e emotivo típico do anarquismo existencial.

O protagonismo responsável e iniciativo foi substituído pela conduta responsiva, radical, irracional e inconsequente, em nível de volatividade e inconstância quase demente, perdendo-se em labirinto patológico, pela busca do refúgio perdido da felicidade autônoma , sólida e permanente.

Dessa maneira, a maquete original, minúscula e embrionária do estado existencial, do decaído, das suas obrigações individuais, sociais e divinas, é reproduzida em escala real, por meio do Estado governamental, erigido dos seus deveres constitucionais ignorados, distorcidos ou extintos, preteridos pelos direitos gradativos maiores, mais profundos e perniciosos à sociedade ordinária, invertida pela extraordinária, política, com relação à prioridade do Estado.

O imenso poder do governo absoluto, a conspurcar,o legítimo relativo do Estado, em contraste com aingênua e vã filosofia atéia comum, é subjugado pela autoridade demoníaca, ausente fisicamente, presente sobrenaturalmente, oculto sob objetivos benéficos, mas demeios maléficos, cujos resultados anulam aqueles iniciais, consolidando assim, a eminência parda duradoura,não votável, mas sempre elegível, pelos votos corruptos dos políticos candidatos, novatos ou veteranos, em perpetuar-lhes a gravidade moral, em torno do buraco negro sobrenatural da maldade.

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