• Wilson Nomura

Bens duradouros e não duradouros


Foto: ebglobal.org


No mundo redondo, que dá voltas cosmológicas, filosóficas e espirituais, nas vidas de seus habitantes, o reencontro de pretéritos patrões e empregados, muitas vezes, em condições sócio econômicas diferentes e/ou opostas, pode constranger, alegrar ou amaldiçoar os antigos vínculos empregatícios, dependendo de suas naturezas, de seus históricos e finalizações.

Em muitos casos, mesmo que o relacionamento da parte patronal, não seja do tipo do dono, em posição arrogante, abusado e explorador da momentânea condição social mais “elevada”, mas, o do gerente colega de trabalho e um amigo no ambiente externo, ainda assim, tais circunstâncias podem encontrar eco protestante, de alguns lábios reclamantes, muito possivelmente, com todos os motivos do mundo, propositais ou involuntários, danosos ou superficiais, duradouros ou efêmeros.

Afinal, quando se tem o poder nas mãos, sobre as pessoas, por mínimo que seja, o seu mau exercício pode causar resultados maléficos por toda a vida da vítima, que, salvo perdão interior e exterior, bloqueando a voz ressonante do protesto justo, pode ficar marcada indelevelmente pela tintura rubra do ódio.

A falibilidade humana, da qual ninguém é exceção, certeiramente, pode ocasionar vários momentos de injustiça, parcialidade, protecionismo, soberba e perseguição, como broncas desmerecidas, promoções subjetivas e demissões indevidas, as quais, a cegueira histórica não se permite perceber até hoje.

O ex-patrão deve pedir, de antemão, se for o caso de alguns dos ex-funcionários, um perdão atrasado no reconhecimento retroativo, da falha, talvez, imperdoável ou irrecuperável.



O importante é a lembrança dos momentos conjuntos, não do aspecto do domínio material ou financeiro, mas, criadores de boas e positivas lembranças, de amizade, consideração, fraternidade e respeito, valores muito mais significativos e lucrativos, do que os bens duradouros do mundo físico, que iludem pela sua “eternidade” na esfera natural, e desiludem pelo perecimento na esfera sobrenatural.

É essencial evitar ao máximo ser enganado conscientemente, pelas tentações misteriosas na temporalidade da duração, de se aproximar mais dos relacionamentos, mantendo certa distância respeitosa profissionalmente, a despeito do interesse romântico de uma parte ou de outra, não importa o quanto sacrifício pessoal, sentimental e psicológico esteja envolvido.

O arrependimento da auto proteção exagerada, de nada ter-se feito, deve contrabalancear a satisfação de assim ter-se agido corretamente, com a exclusão do usufruto do interesse sensual, como experiência abjeta e chantagista recíproca, em que este imagina ser o único ganhador da relação sentimental forçada, e em que a parte chantageada é que dá a última risada e cartada, pois é o patrão que tem mais a perder, do que o emprego da(o) funcionária(o).

Nada disso teria veracidade importante, se o interesse mútuo fosse exclusivamente romântico, quebrando barreiras sociais, mas não as morais de ambos, o que infelizmente nunca ocorreu, seguindo a “maldição” profética de Carlos Drummond Andrade, onde “João, que ama Maria, que ama Joaquim...”

O preço pago pela inexperiência foi compensado pela experiência excluída de utilizar a paixão alheia como escada amorosa relacional, descartando-a tão logo a utilidade prescrevesse. Felizmente, percebe-se o mal da humanidade: servir-se de outrem, de maneira egoísta, poderosa e corrupta, para os próprios interesses, carências e desejos pessoais financeiros, amorosos e dominadores.



Wilson Nomura

24 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo