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Agronegócio deve sofrer impacto da guerra da Ucrânia na próxima safra

Maior parte dos fertilizantes usados no setor são importados da Rússia, que sofre com sanções internacionais por ter dado início à invasão do país vizinho

O Brasil importa 95% dos fertilizantes usados no agronegócio

O impacto do preço dos fertilizantes no agronegócio brasileiro será inevitável na safra de 2023. O presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Ciro Marino, relembra que o Brasil é dependente da importação dos produtos russos.

Mesmo com a intenção do país em manter os envios ao Brasil, as sanções internacionais impostas ao governo de Vladmir Putin impedem as companhias marítimas de atracar no leste europeu e a ampliação da produção nacional deve ocorrer somente em médio prazo.

Os preços também subiram muito para os produtores, e o reflexo chega até os consumidores. “O Brasil importa de 85% a 90% dos fertilizantes, esse número já é bem conhecido.

Existem outros produtos que também estão na mesma cadeia, que às vezes não são muito visíveis, mas estão incorporados nesses 90% que o Brasil importa que são intermediários para a fabricação de fertilizantes.

Ou seja, no final, tanto fertilizante acabado como os seus intermediários, acabam afetando a mesma indústria que é o agronegócio. Então, não deveremos ver muita coisa acontecendo nesses primeiros três, quatro meses aqui pela frente, mas, seguramente, na preparação do solo para a colheita de 2023. É muito difícil o Brasil conseguir escapar ou reorganizar o processo de logística que cubra essa deficiência”, afirma.

A pandemia e a guerra explicitaram a necessidade da produção nacional brasileira: atender a sua demanda e também evitar a dependência em questões estratégicas. O presidente da Abiquim aponta que as importações do setor químico registraram recorde de R$ 50 bilhões de dólares, um fator decisivo para a queda da balança comercial brasileira.

As empresas buscaram no exterior 47% do total consumido na produção, mas, diante do cenário global conturbado, oscilações do câmbio e aumento dos custos de logística.

A conjuntura deve favorecer agora a competitividade das fábricas instaladas no Brasil. “O Brasil não possui uma estratégia de Estado. Temos sempre seguido estratégias de governo, que tendem a cuidar apenas da conjuntura. Você tem uma questão regulatória, você tem uma questão tributária sempre conjuntural…”, diz Marino.

“O setor químico, assim como o siderúrgico, a mineração e a própria agricultura, são indústrias de longo ciclo. Você tem uma maturação de 7 a 8 anos entre partir de uma ideia de produto até entregar ao mercado e ter algum retorno.

Em alguns casos, até 10 anos. Indústrias de tão longo ciclo não podem ficar sujeitas a uma estratégia de daquele governo ali de plantão, porque nós vamos atravessar dois ou três governos até o momento em que o produto voltar a retornar algo para a indústria. Então precisa ser uma estratégia de Estado”, acrescenta.

O presidente da Abiquim ressalta que o setor recebe o impacto de 45% de carga tributária contra 25% do mercado global. Somente o gás natural custa 300% a mais em relação aos principais competidores do Brasil.

Ciro Marino defende a reforma tributária e explica que o governo retirou de forma abrupta o regime especial do setor sobre a incidência do PIS e da COFINS na casa de US$ 200 milhões, enquanto os Estados Unidos repassam US$ 4,6 bilhões em incentivos à sua indústria química.


Fonte: Jovem Pan

Indicação da Matéria: O Editor

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