• Wilson Nomura

A república democrática? A república é a organização política, enquanto a democracia é um...


Imagem: Flickr


A república é a organização política, enquanto a democracia é um conceito presente no campo das ideias. As ideias democráticas podem ser aplicadas a m regime político. Em um regime republicano, o foco está em buscar o bem de todos acima de tudo.

República não é sinônimo de democracia, de moralidade ou de legalidade. República é apenas uma forma de organização do poder na qual os cidadãos elegem o chefe de estado. ... Democracia é o oposto de ditadura (ou autocracia) e não de monarquia.

No mundo contemporâneo, o oposto de 'República' é 'monarquia'. Mas é perigoso confundirmos República com democracia ou moralidade, ou dizer que regimes monárquicos são menos democráticos que os republicanos.

A Proclamação da República Brasileira, também referida na História do Brasil como Golpe Republicano, foi um golpe de Estado político-militar, ocorrido em 15 de novembro de 1889, que instaurou a forma republicana presidencialista de governo no Brasil, encerrando a monarquia constitucional parlamentarista do Império e, por conseguinte, destituindo o então chefe de Estado, imperador D. Pedro II, que em seguida recebeu ordens de partir para o exílio na Europa.

Há razões de sobra para se comemorar o aniversário da proclamação da república, sem a qual o país ainda estaria sob o comando de uma classe aristocrática, coberta de privilégios, direitos e regalias, inexistentes nas demais classes sociais, pedintes dos mínimos equivalentes, sobrecarregados dos deveres cívicos de toda ordem, sob a pena de sanções legais, no mais leve descumprimento, em oposição aos seus mandantes.


Entretanto, as razões para comemorar a democracia restaurada com a Nova República, desde o golpe militar, são ambíguas no aspecto da sua estrutura e de seu conteúdo.

Pois cada leva de políticos eleitos pelo povo passa a integrar a elite “aristocrática” na prática, durante o mandato respectivo, em que promulga, julga e executa leis sectárias e impopulares, adicionando mais benefícios e menos obrigações, deixando a sobra de auxílios financeiros e de salários menos que o mínimo necessário, num ambiente socioeconômico de custos básicos altos, com a moradia, segurança, educação, saúde, alimentação, transporte, energia, e afins, em nível de qualidade e abrangência ridículos.

Gradativamente, as distorções ilegais abonam o político, seus familiares e descendentes, numa “meritocracia” hereditária aristocrática, mantendo amparos de aposentadoria, salários e prerrogativas, a destacar a imunidade parlamentar e foro privilegiado, desequilibrando a lei, agora com dois pesos e duas medidas.

A essência idêntica desta classe política à aquela anterior da república, difere apenas no nome e duração, renovada eleitoralmente, com mais poder, mais atributos, mais injustiça e desvarios, incentivado pela reeleição do comandante mor, cujo objetivo direciona as ações governamentais prioritariamente na vitória eleitoral e não na governança da nação.

A meu ver, essa situação é de conflito de interesses, visto que o candidato usa o dinheiro e a máquina pública, a seu favor, em flagrante e descabida vantagem sobre os adversários mormente cidadãos civis e não políticos, contexto evitado somente com a licença do cargo, tão logo anunciada a candidatura, deixando a função disponível ao vice, nas três esferas de governo. Apesar disso, é inevitável a aprovação legal de benefícios eleitores setoriais na sociedade, com os recursos do Estado, utilizados como fundos de campanha eletiva, muitas vezes, comprometendo o erário público.

A dispersão do foco da base constitutiva republicana, aliada à ruptura dos alicerces democráticos, substitui a busca do bem a todos, pelo bem a poucos, acima de tudo, simbolizando o nível político social e moral da sociedade e seu respectivo governo, neste caso, a escória abjeta a administrar um dos mais excelsos poderes celestiais transpostos aqui na Terra, comparável apenas com o poder espiritual, comumente, tão obsceno quanto o seu irmão gêmeo bivitelino, pela semelhante usura do comportamento hipócrita.

Concorrentes e/ou parceiros entre si, seus representantes amealham fiéis, com seus votos eleitorais ou virtuosos, através das promessas do paraíso em terra ou nos céus, confiando-lhes a administração das posses materiais e espirituais, pela cobrança de impostos ou de donativos, dominando o pensamento, o coração, as ideias e a esperança, de um mundo melhor natural ou sobrenatural.

O teste da dupla gestação e crescimento do poder, onde o líder se apresenta como representante político do cidadão, ou porta voz espiritual de Deus, na Terra, é infalível, pelo alvo essencial do caráter humano, que progride e regride, a cada mandato, a cada governo, a cada história.


A brincadeira a que se rebaixa o poder temporal ou espiritual, reflete a imaturidade infantil e irresponsável da criatura terrestre, sujeita à devida punição moral e existencial, quando estiver de volta ao lar, pois Deus, como pai ajuizado, não lava a roupa suja em público.


Wilson Nomura

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