• Wilson Nomura

A realidade libertadora ou presidiária



Na parábola do elefante, palpado por cinco pessoas cegas por uma venda, cada uma tem uma “visão” particular, parcial e errônea, do objeto inspecionado. A perna roliça dá a impressão de ser o tronco de uma árvore, o rabo aparenta ser uma corda, os dentes pontiagudos enganam pelo formato de uma lança, as imensas orelhas abanam o vento como um leque e a rugosidade da pele simula uma parede. A percepção da realidade é proibida pela limitação dos sentidos, como ocorre ao ser humano perante a realidade divina, inspecionada pelos conceitos parciais, ou distorcidos das filosofias e religiões.


A superação da deficiência cognitiva e espiritual só ocorre com o livramento do ego, soberbo em se proclamar dono da verdade falsa, que o aprisiona, ao invés da verdade real, que liberta, segundo, uma descoberta parcial, mas verídica bíblica.

A autenticidade dos textos sagrados é obtida e divulgada pela administração dos ministérios básicos, pilares da instituição da religião original, pura, plena e infinita celestial, o elefante sobrenatural da qual geram todos os filhotes naturais.


Os princípios da verdade, da paz, do amor e da plenitude norteiam o trabalho dos ministros correspondentes, em seus papéis de salvadores das almas humanas, ignorantes e desleixadas na busca da razão suprema da vida, que vivem hedonisticamente.

Não tarda, entretanto, para que a realidade monstruosa, esmagadora, surpreendente, terrível e ameaçadora, pise e esmague até mesmo os caminhos mais bem antevistos e projetados pelo caminhante terrestre, cego em seu andar perdido e sem rumo.


Pois que as tragédias da vida são maiores do que qualquer erudição, ciência ou magia, humanas, impotentes em restabelecer a visão dos fatos, enturvada pela miopia negacionista.

Do mesmo modo, a doença oftálmica espiritual atinge várias almas displicentes na saúde do órgão perceptivo.

Míopes ou cegos perante, não à realidade celestial resgatadora, libertadora e infinitamente benévola de Deus, mas à verdade infernal, arroubadora, presidiária e enormemente maligna do Diabo.


Como diz o ditado popular: “Como se engole um elefante inteiro? Fácil, comendo de pedaçinho em pedaçinho”.

Dessa maneira, o ateu praticante é devorado aos poucos, paulatina, imperceptível e irresponsavelmente, pelo elefante maléfico que alimenta, símbolo gêmeo de sua própria alma gigantesca em maliciosidade.

Anestesiado pela soberba, pela ganância e pela corrupção, é vitima da auto, antropofagia sobrenatural, que acontece de modo caolho, míope e cego, sem distinguir o amplo quadro geral da decadência moral e existencial, fatiada em extrações incompletas e distorcidas dos motivos de tamanhos atos horríveis a si mesmo e a terceiros, camufladas pelo bem maior, geral, distante, hipotético e utópico, ficando a um mínimo passo da loucura total, quando o cérebro do ego cria a desculpa santa para justificar a ação degenerada.


A originalidade nefasta apodera-se do exercício dos ministérios sacros, distorcendo e invertendo o significado e função respectivos. Assim, a verdade dissemina a falsidade, a paz divulga o conflito, o amor manifesta o ódio e a plenitude propaganda à deficiência.

O único “bem” relativo, momentâneo e ilusório obtido é ao único e próprio ministro em questão, em detrimento do mal absoluto, perpétuo e real causado aos seus ouvintes e espectadores fiéis e incautos.


A realidade etérea e a diabólica possuem a mesma estrutura formal, de oposto conteúdo ético, perseguido cegamente pela alma, surpresa pelos resultados encontrados, catastróficos ou milagrosos, maiores do que qualquer erudição, ciência ou magia humanas.

No caso das consequências benéficas, a realidade incomensurável, incontestável, surpreendente, maravilhosa e tranquilizadora, enfeita e suaviza até mesmo os caminhos mais imprevistos e desdenhados pelo caminhante terrestre, que é abençoado aos poucos, paulatina, perceptível e responsavelmente, pelo elefante benéfico que alimenta, símbolo gêmeo de sua própria alma gigantesca em benignidade.


Wilson Nomura

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