• Wilson Nomura

A felicidade



Felicidade é um tesouro mais procurado do que o ouro, mais oscilante que as cotações das bolsas de valores e tão variante no tempo e valor do resgate, quanto os investimentos de renda fixa.


Em cada fase da vida, é oferecida em pacote fechado, aberto com a chave geral, construída pela seguinte equação:


Saldo da Felicidade


Crédito Débito

Direitos e Desejos Deveres e Necessidades

Explicando: O saldo positivo ou negativo é obtido, somando-se o Crédito (Direitos e Desejos) e subtraindo-se o Débito (Deveres e Necessidades).


Supõe-se que em geral os direitos e desejos procurados e atingidos causam bem estar, alegria, conforto, segurança e saciedade, creditando o saldo. Os deveres e necessidades, por outro lado, provocam mal estar, tristeza, desconforto, insegurança e carência, debitando o saldo.


Na fase inicial infantil, o saldo configura-se extremamente positivo, tendo-se todos os direitos e desejos relativos à idade satisfeitos, enquanto que inexistem deveres e necessidades a serem cumpridas.


Na fase da adolescência, o saldo já se mostra menos pendente ao crédito, pela diminuição dos desejos e direitos plenos absolutos, tornando-se mais relativos, com o aumento de deveres e necessidades.


A fase adulta caracteriza-se pelo equilíbrio dinâmico, com direitos e desejos brigando entre si, pela hegemonia contra os deveres e necessidades, tendo vitórias alternadas entre um e outro.


Durante a fase idosa, a vantagem do Débito é acachapante, onde os deveres e necessidades sobrepõem os direitos e desejos, próximos ao nulo, pela perda do papel social de responsabilidade.


Analisado sob este aspecto é obvio supor que a felicidade, com o passar do tempo, parte da plena e total, abranda em poucos anos, percorre a média dinâmica e finaliza na mísera e limitadíssima.


A melhor fase deveria ser a adulta, quando a felicidade é média, entretanto, mais aproveitada de modo consciente e responsável, devido ao papel social altamente valorizado pelos parâmetros da equação.


Na etapa idosa, tentando recuperar parte do crédito antigo, o ancião, frustrado pelo exercício dos poucos direitos restantes, abusa do pouco que lhe resta, através do usufruto do desejo, ainda que também limitado, realizado com a gula, a bebida, cigarros e outros vícios, ainda possíveis, mesmo que nocivos à sua saúde, que, se agravada, estoura o saldo negativo, no descumprimento do dever social, de não se tornar um peso social e financeiro muito grande à família e à sociedade.


Apesar do quadro usualmente deprimente e pessimista, existem almas, que superam as adversidades, igualando ou ultrapassando o saldo médio orgulhoso do adulto, que é derrotado pela vantagem que o idoso possui: a sabedoria da experiência.


Seja pelo auxílio de uma qualidade intrínseca ao intelecto humano, pela ajuda espiritual, obtida pela crença no ser superior, o longevo burla o balanço a seu favor, extraindo o vital tesouro, não do crédito físico, mas do crédito sobrenatural, incomensurável e imbatível, desintegrando qualquer resistência da conta de débito.


Tal “fraude” existencial possibilita comportamentos estapafúrdios, surreais e milagrosos, como a louca chance de se encontrar um rastro de felicidade, em meio a um dos piores ou pior ambiente adequado: o campo de concentração nazista.


"Vivi por um século e sei o que é encarar o mal de frente. Vi o pior da humanidade, os horrores dos campos de extermínio, os esforços nazistas para exterminar minha vida e as vidas de todo o meu povo. Mas agora me considero o homem mais feliz da Terra."


É assim que o judeu alemão Eddie Jaku começa seu primeiro livro, The Happiest Man on Earth (O Homem Mais Feliz do Mundo, em tradução livre) lançado poucos meses depois dele completar 100 anos, em abril.


Ainda assim, diz ele, em entrevista à BBC, que não odeia seus torturadores.

"Odiar alguém é uma doença. Destrói seu inimigo, mas, no processo, te destrói também."


“A felicidade é a única que dobra quando você compartilha com alguém"


Finalizando, a felicidade é como a moeda virtual Bitcoin, sem lastro real com o ouro, dólar, ou qualquer outro valor monetário físico. A criação, as ações e investimentos a curto, médio e longos prazos, renderão juros dobrados, ao credor e ao devedor.




Wilson Nomura



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